Olá a todos. Aqui quem vós fala é O Bardo. E depois de um natal não muito agradável e um possível fim de ano regado a álcool (Tenho que fazer jus a nome Bardo Bêbado) venho até aqui pra escrever mais um "capítulo" do meu conto. (Você pode ver o conto anterior bem AQUI !!)
Não espera que tantas pessoas gostassem mas fico feliz por isso. Agora vamos a que interessa.
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A visão daquele velho com uma arma na mão me deixou muito assustado. Sempre penso como nos, humanos, somos frágeis. Nossas vidas podem acabar a qualquer momento, por qualquer coisa. Não é preciso uma arma pra matar, as vezes uma simples tampa de caneta resolve o "problema". Mas estamos tão amarrados a essa falsa sensação de imortalidade que nunca paramos pra ver por esse lado. As vezes penso que a verdadeira vida eterna é ser lembrado por quem amamos. Como já ouvi falar uma vez, todos os homens tem um futuro, mas poucos tem um destino.
Destino. Talvez seja isso que me levou até a porta desse velho. Entro no que parece ser uma antiga "sala de espera". Nossa, quanta sujeira. Ele não deve limpar essa porcaria de lugar a anos. Um sofá velho com cobertas amassadas, uma TV ligada e uma geladeira quase aberta, e pelo visto, quase vazia.
- Então garoto, o que faz andando pela estrada a noite e a pé ainda por cima ?
- Apenas me afastando de alguns problemas.
- Não se pode fugir pra sempre garoto. Os problemas tem coleiras com o nome dos donos.
- É... acho que nunca tinha pensado por esse lado.
O velho termina de abrir a geladeira velha. Pega uma garrafa d'água e em seguida abre o que parece um pequeno armário. Esse lugar é tão escuro que nem consigo ver onde estão os outros móveis.
- Tome. Gosta de biscoitos ? Se não gosta não posso fazer nada. É a única coisa que sobrou.
- Não precisa se incomodar. Só a água já está ótimo.
- Vamos lá garoto. A muito tempo não recebo visitas, coma.
- Você mal me conhece e consegue ser mais caridoso que muita gente que conheço. Chega a ser irônico.
- Você sempre espera algo bom vindo das pessoas garoto ?
- Acho que sim. Acho que estou aqui por esperar o máximo das pessoas, mas...
- Nunca espere o máximo das pessoas, o máximo que elas podem te dar é o mínimo.
De repente a sensação e medo que tinha passou. É incrível como esse velho, mesmo com apenas uma garrafa d'água e um pacote de biscoitos consegue me deixar mais relaxado do que qualquer outra pessoa. As vezes a solidão deixa as pessoas mais receptivas, mas infelizmente não é o meu caso. Minha mania de rosnar para o mundo pode ter me levado até aqui. Era como dizia aquele padre idiota "a tristeza é um dom do céu, o pessimismo é uma efemeridade do tempo."
- Então... muito obrigado pela água e pelos biscoitos, mas acho que vou andando.
- Está de sacanagem comigo garoto ? Já é noite, está frio e você tem cara de não ter um centavo.
- Bom... tenho alguns trocados. Acho que dá pro gasto.
- Não seja idiota, durma por aqui. Sei que isso parece um ninho de rato, mas é melhor que lá fora.
- Desculpe, mas não quero incomodar.
- Escuta, garoto. A próxima parada fica a pelo menos sessenta quilometros. Não seja idiota.
- Tudo bem... obrigado pelo convite.
- Amanhã podemos conversar melhor. Já estou com sono, um idiota descalço me acordou, sabe ?
Damos uma leve risada juntos, coisa que eu não fazia a tempo. Não sei o que esse velho quer, mas parece uma boa pessoa. Seu único mal é a solidão e fico feliz por aliviar um pouco esse peso das costas dele, mesmo que por apenas um dia. O peso que carrego é mais do que apenas uma mochila velha e uma gaita.
Melhor eu me deitar, um sofá velho me espera. Talvez amanhã parte do sofrimento que carrego não esteja mais na minha mochila.
Mas é como dizem, o homem que teme o sofrimento já está sofrendo pelo que teme.
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Continua AQUI !!











