sábado, janeiro 14

Gaita, Estradas e Despertar !!

10/ Aplausos


Olá a todos. Aqui quem vos fala é O Bardo. E finalmente as coisas pro meu lado estão se acertando. Depois de um mês conturbado com a minha ninfa, as coisas finalmente (parecem) que voltaram ao normal. Bom... que me conhece a mais tempo sabe de tudo. Fiquei solteiro, depressivo e semi-alcoólatra. Mas depois de longas conversar as coisas estão indo. 

 Mas vocês não querem saber da minha vida pessoal. Vamos ao que importa, esse é mais um "capítulo" do meu conto. E você pode ver as partes anteriores clicando AQUI !!

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 Nunca gostei de acordar e me deparar com um "teto desconhecido". Sempre fico com uma sensação de insegurança e de que não estou no mesmo lugar onde cai no sono. Pode ser idiotice, mas acontece comigo e esse sol na minha cara não me ajuda nem um pouco. A claridade não é muito convidativa já que me permite enxergar melhor o buraco que estou. Um monte de coisas velhas espalhadas junto com essa "neblina" de poeira só me dão mais vontade de dar o fora daqui.

 Mas onde está aquele velho ? Espero que não esteja morto no banheiro ou me esperando com uma arma como da última vez. Melhor levantar e dar o fora antes que aquele velho maluco pense que roubei algo. Era como aquele padre idiota dizia, "nosso caráter é aquilo que que fazemos quando achamos que ninguém está olhando". A hipocrisia dele me comovia as vezes.

 Nada do velho aqui dentro, melhor ir lá fora e avisar que estou de partida. Abro a porta e o vejo em meio a todas aquelas motos velhas.

 - Bom dia. (Grito de onde seria a "varanda")
 - Bom dia garoto, pode vir aqui um instante ?
 - Claro.
 - Então... dormiu mal ?
 - Pra falar a verdade, sim.
 - Eu já sabia. Você deve estar acostumado a dormir em um local descente.
 - Nem tanto. Bom... apenas vim agradecer, já estou de partida.
 - Hum...
 - Algum problema ?
 - Não... pode esperar mais uns minutos ?
 - Sem problemas.

 O velho se afasta e entra em um pequeno galpão aos fundos. Espero que não tenha ido buscar outra arma ou coisa parecida. Apesar de bronco esse velho consegue ser agradável em alguns momentos. Só me pergunto o por que de uma pessoa de idade morar sozinha em um lugar desses.

 - GOSTA DE MOTOS, GAROTO ? (ele grita de dentro do galpão segundos antes de sair)
 - Sim, bastante. É uma pena ver tantas delas jogadas ao tempo por aqui.
 - Está precisando de dinheiro ?
 - Sim, mas não vou aceitar o dinheiro do senhor.
 - E quem disse que vou te dar dinheiro ?
 - Bom... eu pensei..
 - Pensou errado. Mas vou reformular minha pergunta. Quer ganhar algum dinheiro ?
 - Sim... seria bom.
 - Ótimo. Leve as motos em melhor estado para dentro do galpão para mim. E não me diga que está com pressa, você tem cara de quem não tem rumo, mal sabia que a próxima parada fica a mais de sessenta quilometros.
 - É verdade. Tudo bem, posso fazer isso pelo senhor.
 - Então já pode começar.

 Levo cerca de duas horas para levar as motos em melhor estado para dentro do galpão. Não é nada fácil empurrar mais de duzentos quilos de metal com os pneus furados. Pensando bem começo a ficar com medo outra vez. Onde esse velho conseguiu tantas motos ? Será que roubou de pessoas que passavam por aqui ? Melhor parar de pensar nisso. As pessoas tem a péssima mania de sempre imaginar o pior quando na verdade tudo pode ser bem simples e sem complicações. As vezes ele ganhou essas motos como pagamento de dívidas... ah droga, pare de pensar e trabalhe.

 Olhando ao redor percebo que deixei duas delas de fora. Estavam escondidas embaixo de uma lona. Melhor guarda-las. Tirando a lona vejo que são dois belos modelos da década de 70, devem valer uma nota.

 - O que achou ? (O velho surge do nada, chegando a me assustar)
 - Ham ? O que ?
 - As motos, o que achou ?
 - São muito bonitas... verdadeiras obras de arte.
 - Sabe um pouco de mecânica ?
 - Sim, aprendi quando mais novo.
 - Muito bom, se consertar uma delas, pode ficar. São as únicas que ainda tenho os documentos.
 - O SENHOR ESTÁ FALANDO SÉRIO ?
 - Sim. E não grite no meu ouvido.
 - Desculpe, mas qualquer uma delas vale um bom dinheiro.
 - Você não disse que queria ganhar algum dinheiro ? Então ai está. Conserte e vá embora. Venda, alugue, faça o que quiser.
 - Mas... como assim ? O senhor me conheceu ontem ?
 - Sim. E do que me adianta ter duas motos jogadas no tempo se elas podem ser uteis pra alguém ? Olhe pra mim rapaz, não sou mais jovem como você, não posso mais sair andando por ai.
 - Tudo bem... mas nunca vi alguém fazer isso.
 - Pare de falar e vá consertar uma delas. Posso morrer amanhã e ter todas essas motos roubadas. Ficarei feliz de saber que pelo menos uma delas está sendo útil para alguém.

 O velho vira as costas e não me deixa falar. Realmente fiquei espantado, quem no mundo faria uma coisa dessas ? Dar uma moto para um estranho ? Bom, melhor parar de pensar e consertar uma dessas máquinas. Depois de 4 horas percebo que isso pode ser considerado um trabalho. Freios enferrujados, sujeira no tanque de combustível e pneus furados. No final das contas terei que dar uma de "médico louco" montando seu Frankenstein. A noite começa a cair e acho que terminei. Fiquei tão distraído que não notei a presença do velho nessas horas.

 - Então rapaz, tudo pronto ?
 - Acho que sim...
 - Então ligue, vamos ver como está. (Ele fala isso com um certo sorriso no rosto)
 - Ok, vamos lá.

 Ligo e de cara tenho um desastre. O cano de descarga produz um estouro seguido de uma nuvem de fumaça preta.

 - HAHAHA !! MUITO BOM GAROTO, JÁ TEM SUA PRÓPRIA MÁQUINA DE POLUIÇÃO !!

 O deboche desse velho não me deixa nada feliz, mas tenho que admitir que foi engraçado. Ele vira as costas e volta para seu lugar, apenas me observando. E pelo visto não vai levantar um dedo pra me ajudar. Mas como dizem, se você está atravessando o inferno... continue indo. Mais duas horas e o cair da noite me rendem o sentimento de trabalho feito. Hora de testar, sem fumaça, eu espero.

 - VAMOS GAROTO !! ESTOU TORCENDO POR VOCÊ !!

 Parece que virei o distração desse velho. Hora de acabar com toda essa "alegria". Ligo... e finalmente vitória, tudo certo e esse ronco de motor me deixa com um belo sorriso.

 - Muito garoto bom garoto, muito bom mesmo. Meus parabéns.
 - Obrigado. Deu bastante trabalho.
 - Agora essa moto é sua...
 - Algum problema ?
 - Não... apenas pensamentos de um velho.
 - Se desejar posso ficar aqui mais essa noite.
 - Não tenha pena de mim rapaz. Eu já cheguei ao fim da linha e não tenho o direito de atrasar o seu caminho.
 - Mas realmente não seria problema.
 - Sem mas... tome suas coisas e vá embora.
 - Fico feliz por ter me ajudado.
 - Quem mais ajudou aqui hoje foi você rapaz. E não digo em relação ao serviço. Agora pegue sua coisas e suma.
 - De qualquer forma, obrigado mais uma vez.

 Ligo a moto e saio lentamente do lugar. Olho pra trás e vejo o velho voltando para dentro, sem gestos de adeus. Fico triste por aquele homem e espero não acabar como ele. Se bem que isso não deve ser tão ruim, ser alguém sozinho mas capaz de dividir algo com o mundo, com alguém desconhecido.

 Mas é como dizem, as vezes para seguir em frente, devemos desistir de nossos sonhos.

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Continua AQUI !!

Comentários
10 Comentários

10 Aplausos:

  1. Thatha disse...:

    Você tem seguido uma linha muito boa na escrita, continue assim. =D

  1. Adriano disse...:

    Excelente, muito bom. Vamos aguardar o próximo capítulo, dessa história intrigante.

  1. Guilherme(flash) disse...:

    Estou gostando bastante da história e também da atmosfera criada. Ta ficando muito bom

  1. Jaqueline disse...:

    ta maneiro! aehoieah =D

  1. Iramaia disse...:

    CARA....excelente texto... muito instigante!! Parebéns!

  1. Anônimo disse...:

    gostei muito da história , serio mesmo d:

  1. MaahMaurilo disse...:

    E você está conseguindo me fazer clicar em todos os "continua AQUI". Excelente, Hanson. *-*

  1. Lais. disse...:

    To gostando muito da história , muito mesmo . Você escreve muito bem , parabéns..

  1. Unknown disse...:
    Este comentário foi removido pelo autor.
  1. Julia Yago disse...:

    A parte que mais gostei de todo o conto!

    Realmente, a estrada nos guia, mas as direções nós escolhemos. Hora podemos ganhar um belo presente de quem menos esperamos, hora podemos sofrer um acidente...Há infinitos obstáculos, mas sempre queremos saber o que há no fim da estrada.

    Cada vez que leio o conto tenho vontade de ler mais e mais sem parar! Parabéns Bardo!

    Como já disseram em um comentário, a escrita do conto prende a nossa atenção e instiga a nossa imaginação durante o desenrolar da história, e o toque meio arrogante e irônico do personagem e da escrita fazem o conto ser ainda mais diferente e fantástico.

    Não nos abandone, escreva mais! haha

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