quinta-feira, novembro 1

Gaita, Estradas e Compaixão !!

4/ Aplausos


 Olá a todos.

 Aqui quem vos fala é O Bardo. Como disse no último pergaminho, a Taverna está parada por tempo indeterminado e vou "me dedicar" apenas ao meu conto (que faço por gosto, nada forçado). Meus dias negros se foram, as coisas tomaram os trilhos e aprendi a colocar a orbita da minha vida ao meu redor. E a vida segue.

 Mas chega de papo. Se quiser ler a parte anterior clique AQUI !!

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 Sigo pelo caminho indicado pelo motorista do terminal. Um pouco de poeira na cara, buracos, animais cruzando o caminho e logo estou de volta ao asfalto... que não está em condições melhores que a estrada de chão batido. E mais uma vez estou sozinho na estrada.

 Mais algumas horas e o céu começa a perder o azul e acho que estou me acostumando a contemplar isso. Grande erro, tiro o olhar da direção e vou de cheio em um buraco, escuto um barulho metálico e freio... Merda, espero que nada tenha se danificado. Ah... falsas esperanças e óleo escorrendo, fim da linha para a minha "nova-velha" moto. Olho adiante e vejo algum tipo de iluminação, talvez seja outro posto e espero que esse não tenha um velho armado. O jeito é empurrar esses quilos de metal até lá.

 Depois de alguns cansativos minutos chego ao local. Uma espécie de auto-posto com loja de conveniências e uma oficina. Todos fechados, mas em melhor estado do que os do terminal, parecem apenas fechados e não abandonados. Mexer na moto sem ferramentas não será nada fácil, o jeito é esperar... a madrugada me aguarda.

 Levo as primeiras horas da noite tentando consertar a moto, mas logo vejo que será inútil e resolvo dar umas voltas. Péssima ideia, todas as lembranças da confusão vindo a tona. Por que aquele padre idiota tinha que aparecer na minha vida desse jeito ? Trouxe demônios ao invés do espírito santo que dizia ter ao seu lado... desgraçado. Melhor para de pensar nisso e voltar pra perto da minha moto.

 Sento em um banco de concreto e fecho os olhos. Solidão... o único meio de silenciar uma alma, pelo menos, é o que dizem. Mais alguns pensamentos e sou pego pelo cansaço...

 - Bom dia !!

 Sou desperto por uma voz feminina. Ah... a claridade não deixa meus olhos dormentes enxergarem direito.

 - Bom dia !! -- ela repete.
 - Bom dia !! -- Tento "limpar" meus olhos pra melhor enxergar.
 - Estamos abrindo agora, quer um café ?
 - Sim... gostaria. Me desculpe dormir na porta da sua loja.

 Termino minha frase ainda limpando o rosto e quando finalmente recupero a visão me deparo com uma garota. Mais jovem do que parecia pelo seu tom de voz. Deve ter no máximo minha idade... e pelo visto, um tanto bonita.

 - Teve problemas com a moto ? Temos ferramentas também. -- Ela fala enquanto usa as chaves na porta.
 - Sim, mas acho que só tenho dinheiro para o café.

 Ela nada responde e adentra a loja. Sigo. A loja é bem organizada e limpa em contraponto a esse lixo de lugar. A garota parece ignorar minha presença e segue para o balcão.

 - Olha... eu realmente preciso de algumas ferramentas, nem que sejam emprestadas. Eu posso fazer algum serviço em troca... varrer a loja, tirar o lixo, limpar as calhas...
 - Você prefere o seu café com ou sem açúcar ? -- Ela fala dos fundos da loja, me ignorando completamente.
 - Sem açúcar... por favor.

 Ela volta com duas xícaras fumegantes, permanece atrás do balcão e me oferece uma.

 - Então... perdido ?
 - Essa é a pergunta que mais escuto nos últimos dias.
 - Então está realmente perdido ?
 - De certa forma... olha, eu realmente não posso pagar pelas ferramentas, então...
 - Tem algumas na oficina, pode pegar -- Ela me interrompe -- Depois, se quiser, limpe as calhas e leve alguns pneus que estão no tempo para dentro da garagem, lá atrás.
 - É... obrigado, obrigado mesmo.

 Mais uma vez ela me ignora, toma a xícara da minha mão e volta ao interior da loja. Acho que é a minha deixa. Saio, acho uma escada e começo a limpar as calhas. Alguns minutos depois ela aparece e me observa, sem uma única palavra. Desço, vou para a parte de trás e começo a levar os pneus, que agora percebo, são de caminhão. Ela aparece mais algumas vezes para me observar, acho que está verificando se não estou roubando algo.

 Depois de algumas horas finalmente termino tudo que me foi ordenado. Ela surge com uma jarra do que parecer ser suco de laranja.

 - Cansado ?
 - Bastante, por que não me disse que eram pneus de caminhão ?
 - Você não perguntou nada.
 - Ok... bom, pode me emprestar as ferramentas ?
 - Sim, mas preciso ir em casa pegar algo, se importa em esperar mais alguns minutos ?
 - E eu tenho escolha ? Estou preso a você agora.
 - É... eu sei. Até daqui a pouco.

 Ela deixa a jarra em um banco e a cena dela me dando as costas se repete. Ela entra em um carro estacionado embaixo de uma árvore ao longe e parte, me deixando aqui, sozinho... de novo. A única coisa que posso fazer é esperar o seu retorno.

 É como dizem, as únicas desgraças completas são aquelas com as quais nada aprendemos...

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Continua AQUI !!

Comentários
4 Comentários

4 Aplausos:

  1. Jé Russo disse...:

    Isso é uma dádiva dos ninjas ! haha
    Muito, mas muito bom como sempre ! Parabéns ! :)

  1. Jaqueline disse...:

    Sempre digo que adoro esse conto! *---*
    Isso é uma dádiva dos ninjas! [2]
    huahashaus Bardo talentoso, parabéns!

  1. Isadora disse...:

    Bastante talentoso. Parabéns !! :)

  1. Iara disse...:

    Já te falei que tu tem um talento imenso, né? Como todos os anteriores, esse trecho do conto me deixou com uma vontade louca de ler mais, mais, mais, mais e mais. E vou te "apurrinhar os pacová" pra tu escrever mais, hein, rapaz? Tá de parabéns, meu bem. Tu é um sucesso.

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